Fernando Parente entrevista Guri

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Fernando Parente esta semana entrevista Guri atleta de futsal formado no Boavista, e que  atualmente está ao serviço do Bastia  de França.

Falar de “Guri” na Europa e Ásia futsalística, é falar de Portugal, é falar de Futsal e num dos expoentes portugueses da modalidade. O que representa para ti esta modalidade?

Para mim esta modalidade é um amor sem fim e sem explicação…só quem anda neste meio do futsal sabe de que falo. É a minha paixão.

Estiveste ligado, em Portugal, a vários clubes emblemáticos, de norte a sul do País. Jogaste nas várias divisões dos campeonatos portugueses. Que diferenças encontraste entre a Liga Sportzone e a segunda divisão?

A diferença entre a liga Sportzone e a segunda divisão é muita, a segunda é mais
fraca em termos de qualidade e emoção durante a época…

O Boavista, onde te formaste, o que significa para ti?

O Boavista para mim é um amor que não se consegue explicar. Passei os melhores anos da minha vida como jogador nesse grande clube e ao qual tenho que agradecer. Tudo que sou hoje devo ao Boavista Futebol Clube.

Tornaste-te numa das referências da modalidade em Portugal quando deste o salto do Boavista para o Sporting Clube de Portugal. Como se processou essa transferência?

Essa transferência processou-se depois de fazer uma época extraordinária logo no
meu primeiro ano de sénior, no qual marquei 26 golos na 1 divisão com apenas 19
anos. No final da época surgiu a proposta que era irrecusável…

O que falhou para não te afirmares nesse grande clube, uma vez que apenas permaneceste lá uma época?

Faltou sorte, senti muito ter de ir sozinho para Lisboa e deixar mulher e filho no porto. Tudo isso mexeu comigo e a adaptação não foi a 100%. Depois algumas lesões. Mas valeu a experiência e a aprendizagem para a vida.

De todos os teus treinadores, qual aquele que teve até ao momento presente o “melhor” Guri?

De todos os treinadores que tive, posso dizer que quem teve o melhor Guri foi o mister Rui Pereira no meu primeiro ano de sénior e o mister Augusto Assunção no meu primeiro ano de Viseu 2001.

Conseguiste aprender e evoluir com eles todos? Quais os que te marcaram mais, em que aspetos e porquê?

Consegui aprender com todos eles…os que mais me marcaram foram: o mister Rui Pereira porque me soube preparar bem para quando eu entrasse na equipa, para que estivesse preparado para o que faltava da época… O mister Augusto Assunção porque quando fui para o Viseu 2001 posso dizer que não foi um passo atrás, mas sim dois à frente. Ele fez-me acreditar no meu valor, que podia fazer a diferença em que equipa fosse. Taticamente evoluí muito com ele…..

Uma Supertaça de Portugal, campeão nacional de juniores, 3º melhor marcador do campeonato Chinês e campeão nacional da 2ª Divisão. Qual o título mais saboroso?

São dois: a supertaça pelo Boavista e o campeonato nacional da segunda divisão também pelo meu Boavista. Sem esquecer a final inédita da Recopa disputada em
Espanha.

E o mais difícil de conquistar?

Os dois que mencionei. Um contra o fortíssimo Benfica na Supertaça e o da 2ª divisão contra uma forte equipa do Belenenses.

Foste um dos primeiros jogadores a ter a experiência de jogar num campeonato e País totalmente diferente do nosso, na China, ao serviço do Guangzhou Bayunsan Pharma. O que nos podes contar dessa tua aventura?

Foi uma grande aventura que graças a DEUS correu bem pessoalmente… Com altos e baixos, com situações complicadas que vivi. Um exemplo que posso dar: a polícia entrar por nossa casa dentro. Estava eu e o Passarinho, outro jogador que estava comigo lá, os dois sem saber falar, sem perceber patavina. Apenas entendemos que tínhamos de ir com eles. Mas no final tudo correu bem e não aconteceu nada.

Quais as principais dificuldades que um jogador de futsal pode ter ao assinar por um clube chinês?

No meu ver as maiores dificuldades são a comida e o idioma.

Voltando a Portugal. Sais do Sporting e regressas a casa novamente, ao teu Boavista. Apenas ficas um ano e ingressas no Mogadouro. Foi a aposta no
momento certo?

Posso dizer que quando regressei do Sporting foi a escolha mais do que certa regressar a casa. No ano a seguir fui para Mogadouro e posso dizer que até dezembro foi acertada. A partir daí tudo se complicou até ao final da época. Mas é um clube que gosto muito e que guardo no coração também.

Apenas permaneces um ano na equipa do interior. Dificuldades de adaptação?

Não foi a adaptação, mas as dificuldades financeiras que o clube passava que me levaram a sair para o Viseu 2001.

De Mogadouro saltas para o Viseu 2001, uma equipa que luta todos os anos pela tão desejada subida à Liga Sportzone. O que falta, na tua opinião, para que o Viseu 2001 possa conseguir o seu grande objetivo de estar na elite do futsal nacional?

No meu ver, ao Viseu 2001 faltava a estabilidade para se trabalhar bem do princípio ao fim da época. Penso que agora já a têm e espero que este ano eles consigam subir à liga SportZone.

Sais de Viseu e dás o salto para São Miguel, nos Açores. Foi benéfica a tua passagem pelo Operário, numa altura em que se deu uma autêntica revolução no clube, com a saída do carismático treinador Roger Augusto e com a entrada do Mister Canavarro e um plantel quase na sua totalidade novo?

Do Viseu saí para a China, só no final de época lá, vim e ingressei no Operário e posso dizer que foi um erro ter ido para lá, porque o que fizeram não se faz a ninguém.

Para um atleta como tu, reconhecido a nível europeu pela tua capacidade técnica, entrega ao jogo e veia goleadora, sentes que em Portugal foste um pouco desperdiçado pelos clubes que representaste?

Só pelo Operário, porque como disse, o que fizeram não se faz a ninguém.

Sais do Operário e regressas pela segunda vez a casa, ao Boavista FC. Que diferenças encontraste entre o primeiro e o segundo regresso?

Quando regressas a casa e és acarinhado por todos e te sentes bem, não há diferenças. E foi mais que acertada, porque fui campeão da 2ª divisão.

Ficas duas épocas em que o teu Boavista se afirma novamente na Liga Sportzone e, de repente assinas por um clube que vinha do distrital da AF Viseu diretamente para o novo panorama da 2ª Divisão Nacional. O que falhou nessa tua transferência, uma vez que apenas permaneceste no clube de Mangualde por dois meses?

Eu fui campeão pelo Boavista, depois saí para França e por motivos pessoais tive
que ficar este início de época no Pedreles. O clube fez-me uma boa proposta, eu aceitei e voltava assim a Portugal. Mas não correu bem por vários motivos que não quero falar e como eu digo, Deus é justiça. Depois surgiu uma proposta da equipa de frança para voltar e aceitei o regresso.

É difícil ser profissional de Futsal em Portugal?

Neste momento só Sporting, Benfica e Fundão têm condições para se ser profissional.

Qual foi a tua maior mágoa relacionada com esta modalidade que apaixona tanta gente?

O que passei no Operário dos Açores.

Neste momento vais para a tua segunda experiência fora de portas. Estás ao serviço do Bastia Centre Futsal de França. Foi a solução possível depois da fracassada experiência ao serviço do Pedreles?

Foi pelas melhores condições para mim e para a minha família.

E que dizer deste teu novo clube?

É um grande clube com pessoas espetaculares que vivem o clube.

Como é estar a jogar fora do teu País, longe do teu habitat natural e, principalmente longe dos teus filhos e esposa?

Como disse, o pior é mesmo estar longe da minha esposa e dos meus filhos que são o meu mais que tudo na vida. As vezes dá vontade de desistir de tudo e ir para a beira deles, porque a saudade é enorme e magoa o coração.

A Seleção, uma miragem, ou continuas com o sonho de um dia vestires a camisola do nosso país numa grande competição?

A seleção é um sonho desde criança, e que continuo a ter. Representar
Portugal numa grande competição é o sonho de todos os futsalistas portugueses e não fujo à regra. Sou internacional sub-18 por Portugal mas ambiciono chegar à Seleção A.

Amigo Guri, deixaste algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Não deixei nada por dizer.
Desde já quero agradecer-te pelo convite para esta entrevista.
Dizer que estás a fazer um grande trabalho e que o futsal precisa de pessoas como tu para que continue a evoluir em Portugal.
Um muito obrigado, um grande abraço e saudações futsalísticas.

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