Fernando Parente entrevista Gabriel (Módicus Sandim)

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A entrevista desta semana conduzida por Fernando Parente, recaiu em Gabriel (Gabri), jogador de Futsal do Módicus de Sandim

Fernando Parente (FP): Gabri, iniciaste a tua carreira no futsal com 17 anos, mas foste formado, como muitos outros, na modalidade de Futebol de 11. A que se deveu a mudança?
Gabri (G): Desde miúdo sempre tive grande paixão pelo futebol de 5, pois ia sempre ver os jogos do meu pai e como não ia dar nada no futebol de 11, houve o dia em que tive que decidir, pois nessa altura ainda se podia jogar nas 2 modalidades e essa paixão pelo futsal falou mais alto!

(FP:) Sentes que, com essa mudança, saíste a ganhar na tua vida desportiva?
(G) Sem dúvida, acima de tudo consegui ter a sorte de fazer como profissional o que mais gostava de fazer, jogar futsal.

(FP): Começaste num dos históricos da cidade do Porto, Núcleo Desportivo Bairro Bom Pastor. O que te apraz dizer sobre esse clube, que agora luta para regressar ao nacional da modalidade?
(G): É o meu clube! E um clube que, falando em futebol de 5, muita gente ainda hoje se lembra das grandes equipas que o Bom Pastor tinha mas acima de tudo é o clube do meu bairro, o bairro onde nasci e cresci e onde tenho a maior parte dos meus amigos e tem muita gente boa que tenta fazer um clube melhor vivendo apenas da sua carolice e paixão pelo clube! Merece voltar aos nacionais um dia!

(FP):Sentiste que, com a mudança de clube logo no teu primeiro ano (BB Pastor – GD Codal), que no Futsal poderias ir mais longe do que no Futebol de 11? Que as transferências seriam muito mais facilitadas numa modalidade do que noutra?
(G): A minha cabeça nessa altura não pensava em voos mais altos, nem ainda percebia muito bem o mundo do futsal. Até estive para não ir para o Codal porque na altura ainda era muito “miúdo” e queria era jogar com os amigos e no clube do meu bairro, mas o meu pai e alguns amigos é que me fizeram ver a oportunidade que estava a ter e acabei por aceitar o convite.

(FP):E como foi o saltar dum clube despromovido (GD Codal) para um clube em ascensão no futsal nacional (Fundação Jorge Antunes)?
(G): Foi mudar de um clube amador para um clube que tinha uma organização profissional e com uma ambição enorme! Para mim foi gratificante terem reparado no meu valor num clube que quase não conseguia acabar a época!

(FP): Foi com surpresa que depois de teres sido vencedor da Taça de Portugal ao serviço da FJ Antunes, que soubeste que irias ser emprestado ao Famalicense, outro histórico do futsal nacional após a fusão da modalidade?
(G): Emprestadado, lol…, não vou mentir, fiquei triste porque sentia que tinha evoluído e à medida que a época ia passando também fui jogando mais tempo, mas o clube nessa altura decidiu seguir outro rumo e nessa altura eu não passava apenas de um miúdo.

(FP):Passas três anos a representar o FAC, nos quais integraste dois estágios de seleção, um nos sub-23, outro na seleção A. Sentiste que a tua carreira estava em ascensão?
(G) : Em ligeira ascensão, foram 3 épocas sempre a evoluir e a melhorar, e o clube também era sempre cada vez mais reconhecido, via dos resultados e isso levou como disseste a ser chamado a dois estágios.

(FP):Regressas à Fundação Jorge Antunes passados esses três anos no FAC. Foi um regresso pela porta grande?
(G) : Foi um regresso pela porta do trabalho e muita dedicação.

(FP): Apesar dos bons momentos passados em Famalicão, penso que a tua afirmação na modalidade e na Fundação se deveu a uma equipa técnica (Paulo Tavares e Jorge Brás), que transportou a equipa para patamares mais altos. Sentes que a FJA poderia ter sido campeã com essa equipa técnica ao leme?
(G) : Sem dúvida! Com o Paulo Tavares e o Brás, era espantoso como os dois encaixavam as suas ideias na perfeição e isso viu-se dentro das quatro linhas! Conseguíamos excelentes resultados e via-se uma equipa a dar espetáculo mas alguém não deixou que a Fundação fosse mais longe… Um jogo em Vizela para nunca mais esquecer…

(FP):É claro que o plantel também ajudava e muito, mas o que dizer de dois treinadores mais conceituados do futsal a nível europeu e mundial?
(G): São dois treinadores muito exigentes e sempre a querer atingir a perfeição no jogo e isso só foi bom para os jogadores que evoluíram. Querem sempre melhorar e por isso são dos melhores que existem.

(FP): Ficas seis anos na FJA. Assististe ao” boom” da equipa na 1ª Divisão e ao seu declínio. Como é que foi saber que uma das equipas mais conceituadas e organizadas da modalidade ia fechar portas na vertente sénior?
(G): Triste, porque foram muitos anos e muitas histórias. As pessoas do clube mereciam conquistar muito mais.

(FP): Já mencionei em algumas entrevistas minhas o nome do saudoso José Manuel Leite (Miramar e SL Benfica). Mas como foi trabalhar com um apaixonado pela modalidade como o José Antunes da FJA?
(G): Como dizes, era um apaixonado pela modalidade mas acima de tudo pelo clube. Existem poucas pessoas no futsal como o Zé Antunes e, acho que fazem falta pessoas como ele ao futsal, pois vivia a modalidade com paixão e não com interesse! Ele só queria sentir-se bem no meio do grupo, que houvesse bom espírito no mesmo. Nunca deixava faltar nada aos jogadores nem à equipa. Relembrar também na Fundação o Paulo Santos e outros, estes sim viviam o futsal com uma enorme paixão.

(FP): Pela maneira que ele abordava cada época da Fundação, qual o motivo que tu achas que o levou abandonar a prática profissional do clube?
(G): No ultimo ano federado da FJA ele já não estava la e não quero cometer nenhum erro no que diga, mas acho que o cansaço do rumo que o futsal levava e também a falta de apoio.

(FP): Voltando a ti. Foi fácil digerir uma decisão duma estrutura que tinha tudo para ser campeã a curto prazo e mudar para o Modicus Sandim, uma equipa que nunca, até então, tinha estabilizado na 1ª Divisão?
(G): Foi fácil por dois motivos. Achava que era altura de mudar de ares e já pensava em tentar jogar mais perto de “casa” e o projeto apresentado pelo Modicus era ambicioso e isso cativou logo a minha atenção.

(FP): Três anos em Famalicão, seis em Vizela, vais para o quinto ao serviço da equipa de Sandim – Gaia. Sentes que és um jogador imprescindível na manobra dessas equipas para saíres apenas por razões extra futsal?
(G): Nunca pensei nisso, nem acho que fosse nem me vejo como imprescindível. Apenas sempre dei o máximo por cada clube que representei pois acho que é o que devo fazer!

(FP): Porque se formos ver, apenas mudaste de clube depois de representares o FAC porque o mesmo foi extinto. O mesmo se passou com a equipa sénior da FJA. Sentes que a profissionalização de apenas duas equipas em Portugal (SL Benfica e Sporting CP) a isso leva?
(G): Ambos os clubes ainda tiveram uma época depois de sair de ambos, mas a extinção de muitos deve-se principalmente pela falta de apoios. É óbvio que uma equipa com nome no futebol consegue muitos mais apoios do que aqueles clubes do futsal, que nasceram para o futsal, futebol de 5 e futebol de salão. Por isso é que também acho que se perdeu um bocado daquela verdadeira paixão que existia nestas vertentes do futsal.

(FP): Emigrar, nunca esteve nos teus horizontes?

(G): Sinceramente, até há pouco tempo nunca passou mas não sei o dia de amanhã e atualmente já e uma questão que me passa pela cabeça. Se surgir a oportunidade certa, quem sabe…

(FP): E um regresso à Seleção?
(G): Não há que esconder que esse desejo nunca deixará de existir, mas penso que já será um bocado para o impossível.

(FP): És, a par do Sandro, do Ricardo Ferreira, do Nandinho, do Bruno Ferreira (treinador atual), Tasaka, Emerson, Vítor Amorim, etc…, um dos baluartes das épocas gloriosas e estáveis do Módicus Sandim. Sentes que afirmação do Modicus teve a ver com a extinção de alguns clubes na 1ª Divisão que permitiu à equipa de Gaia reforçar-se ano após anos para sustentar essa afirmação?
(G): Provavelmente ajudou um bocado mas como já disse, a mim o projeto apresentado era ambicioso e viu-se nas classificações e resultados, por isso o Modicus ganhou por mérito próprio a sua afirmação na 1ª Divisão.

(FP): Gabriel Silva, Paulo Tavares, André Teixeira, Bruno Ferreira, Rui Pereira, etc…, foram importantes no teu crescimento e evolução como jogador de futsal. Mas qual achas que foi o treinador que conseguiu ter o Gabri no seu melhor expoente para a modalidade?
(G) : Como dizes, todos os que falaste foram importantes para mim e ainda faltam alguns como o meu pai, o do Codal Seromenho. Guardei sempre ensinamentos importantes de todos eles, mas acho que foi na FJA e no Modicus que tive algumas excelentes épocas individualmente e coletivamente!

(FP): E o que dizer do grande António Quelhas, o Presidente do Módicus Sandim?
(G) :Tenho tido sorte com as pessoas nos clubes que representei e o Quelhas é mais uma delas! Mais um apaixonado do futsal que vive para o clube… Preocupa-se com o jogador e com o ser humano e, nesse sentido posso dizer que fui um felizardo pelos clubes que representei… No Modicus, deixa me realçar que existem muitas mais pessoas que mereciam o destaque também: o Vítor, Carlos, Quim Jorge, V. Goncalves, muitos mais que tornam este clube uma família também!

(FP): Mais um expoente do nosso futsal a par do José Manuel Leite, do José Antunes, do Mário Pina no Boavista…?
(G): Sem dúvida, o Quelhas já faz parte desse expoente do futsal!

(FP): Geração da Família Guedes no Modicus, Geração dos Irmãos Leite Na Fundação Jorge Antunes. Fizeste parte das duas, mas qual foi a que se evidenciou mais?
(G): Fiz parte, não de 2 mas de 3 gerações pois no Famalicense também existia uma grande família: Pli, Motta, Pedrinho, Ivo, Coroas, Adriano, Leonel e muitos mais onde também se construiu algo especial em Famalicão! Nesse aspeto também tive sorte de pertencer a excelentes grupos com espírito de equipa especiais e isso posso dizer que foi importante para ficar bastantes anos nos clubes. Os Guedes, os irmãos Leite e a geração de Famalicão, todos eles me fizeram crescer como jogador mas também como ser humano! Devo muito a muitos deles mas a geração guedes vai ser sempre muito, muito especial!

(FP): Porquê?
(G): Só quem viveu aquelas histórias é que consegue sentir o quanto foi especial aquele grupo naquelas 2/3 épocas. Deus na Frente, o resto é com os Guedes!

(FP): Tás com 33 anos. Até quando pensas jogar futsal?
(G): Enquanto sentir força nos ossos, eheheh…, mas acredito que mais alguns aninhos!

(FP): E depois, treinar?
(G): Sem dúvida, depois de um sonho já realizado já existe outro!

(FP): Amigo Gabri, deixaste algo por dizer que não tenha sido dito nas questões anteriores?
(G): Dizer que foi um enorme prazer responder a esta entrevista, agradecer a todos que de alguma forma contribuíram para a minha carreira no futsal e agradecer-te mais uma vez o fato de te teres lembrado de mim e desejar-te o melhor amigo! Obrigado também ao Desportivo Transmontano .
Abraço

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