Fernando Parente entrevista Eskerda

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A entrevista desta semana conduzida por Fernando Parente, recaiu em EsKerda, atleta que se iniciou em Portugal ao serviço da AD Fundão, passando depois pela Fundação Jorge Antunes, AAC e Rio Ave, estando atualmente na China.

Eskerda, chegaste a Portugal no Verão de 2006 para realizar um estágio de preparação para o Mundial Universitário em Vila Real. Alguma vez pensaste que seria a tua rampa de lançamento para a Europa?

Nunca pensei que iria um dia vir a jogar em Portugal, sabia sim que depois do mundial iriam ocorrer várias propostas para  jogadores da nossa seleção, pois tínhamos 4 ou 5 jogadores de topo.

Tu, tal como muitos outros colegas teus da Seleção Universitária da altura, tinham o sonho de vingar na modalidade, mas para isso, diziam vocês, tinham de sair do Brasil, porque a modalidade lá só era bem remunerada para alguns atletas já credenciados. Foste dos poucos que tiveram uma oportunidade e que a agarraste com as duas mãos. Como foi o teu início no futsal da AD Fundão, sendo que a equipa estava na altura num processo de transformação e ainda não estava tão enraizada na 1ª Divisão como está atualmente?

Não só eu, como os meus colegas de seleção que sonhavam com uma oportunidade de jogar fora do país e vingar na modalidade, acho que todos os atletas que vivem onde o futsal não é bem remunerado sonham com essa oportunidade. O início de tudo foi na AD Fundão, não foi muito fácil porque vinha da minha cidade natal no Brasil que todos os dias a temperatura é acima dos 30 graus e cheguei na ADF na época do inverno, aí já dá para perceber porque foi complicado a minha adaptação, depois foi só questão de tempo para que tudo corresse bem, a equipa estava pela primeira vez na primeira divisão e com muito esforço de atletas e comissão técnica que passaram pela ADF a equipa hoje é uma referência no futsal Português.

Com 20 anos já eras profissional da equipa do Paysandu Sport Clube no Brasil, onde foste campeão estadual. É mais fácil ganhar títulos no Brasil do que em Portugal?

Não é nada fácil ser campeão tanto em Portugal como no Brasil, Na verdade ainda era sub-20 foi quando me estreei na equipa profissional do Paysandu Sport Clube, foi um pouco engraçada essa minha estreia porque a maioria dos jogadores que faziam parte do plantel estavam lesionados, ai promoveram dois jogadores do sub-20, no caso foi eu, e o John Lennon, não era o cantor kkkkkkkkkk mas era um grande jogador. Desde essa data não voltamos mais a fazer parte dos sub-20 , Ficamos a fazer parte da equipa profissional.

Ou é pelo fato de existirem muitos mais clubes e ligas do que no nosso país?

No Brasil também é difícil ganhar um campeonato, sendo ele regional ou Brasileiro, devido a grande quantidade de ligas que há no país.

Quais as diferenças encontradas entre o Futsal praticado no Brasil com o praticado em Portugal e com o praticado atualmente na China?

Primeiramente a maioria das equipas no brasil são profissionais, isso já é uma vantagem muito grande, Portugal tem jogadores para chegar onde Brasil e Espanha estão no momento, o complicado é que atualmente a Liga de Portugal tem apenas duas equipas profissionais, se estiver enganado que me corrija, os jogadores que mais se destacam são os que estão a jogar fora do país e os que estão no Sporting e Benfica. Em relação a China, a liga esta cada vez mais competitiva, os jogadores chineses estão a crescer a cada ano que passa, as pessoas pensam que la na China é fácil ganhar um campeonato, só quem esta la que sabe como o futsal esta competitivo naquele país.

Sentes que a China pode vir a ser, a longo prazo, uma Seleção a ter em conta nas competições internacionais?

Claro que Sim, os jogadores chineses são muito trabalhadores, gostam de treinar e aprender, isso já é muito bom.

Ou achas que será complicado pelo fato de não terem jogadores naturalizados que possam dar a devida experiência à Seleção Chinesa nessas mesmas competições?

Lógico que seria muito bom se naturalizassem um ou dois jogadores mais experientes, mais não acho correto. É minha opinião.

Que opinião tens do trabalho que o André Lima está a exercer em todos os setores da modalidade na China?

O trabalho é notório para quem vive o futsal naquele país, tanto com os jogadores que fazem parte da seleção como os jogadores das equipas que ele treinou  e está treinando no momento, percebe-se facilmente a evolução desses atletas.

Voltando a Portugal. Inicias-te na AD Fundão, onde permaneces duas épocas. No 3º ano após a tua estreia dás o salto para a Fundação Jorge Antunes, uma das poucas equipas que se batia na altura, cara a cara com as ditas profissionais. Foi uma boa escolha?

Profissionalmente foi uma boa escolha, pois a equipa da FJA era profissional na época e isso fez que me destacasse ainda mais, Lógico com a ajuda dos meu companheiros.

Acredito que a tua afirmação e da própria equipa da Fundação levou com que vários jogadores tivessem outra projeção a nível nacional e que com o término do mesmo, muito deles dessem o salto, tal como te aconteceu a ti. Segues após três épocas na FJA viagem com o Paulo Tavares para o CSKA da Rússia. O que faltou para teres sucesso na equipa?

A minha adaptação no CSKA da Rússia foi muito boa, adaptei-me muito rápido, integrei-me na equipa como uma peça que estava a faltar, tanto que desde a minha chegada eu entrava nos cinco iniciais, dai vê-se.

Ou a proposta do Gu Guaming da China foi irrecusável?

Não tem sequer comparação entre o CSKA e o Gu Guaming, O CSKA terminou com a equipa profissional na época e isso pegou de surpresa todos.

Nas últimas três épocas, desde 2012-2013 até ao momento, tens feito o teu percurso desportivo sempre em duas equipas distintas. Sentes que o futsal em Portugal está a ficar sem crédito para que as equipas portuguesas se possam bater a nível económico com as de outros países?

Acho que não tem coisa pior que um jogador trocar de equipa no meio da época, quem ja passou por isso sabe do que estou a falar, o problema é que algumas equipas prometem o que não tem, se fossem honestos isso não acontecia, todos sabemos que o país passa por dificuldades financeiras, o problema é que muitos não apostam na modalidade. Isso é lamentável.
Entre AD Fundão, Fundação Jorge Antunes, AAC e Rio Ave, qual o clube que te marcou mais em Portugal?

AD Fundão sem dúvidas.

A ida para a China novamente (Gu Guaming), foi por necessidade ou em Portugal deixou de se pagar tão bem em alguns clubes como em anos anteriores?

Bom esta época estava no Rio Ave e houve alguns problemas que prefiro não comentar… Falei com o André Lima e ele me levou novamente para China.

Qual foi para ti o melhor treinador que tiveste até ao momento?

Primeiramente tive o privilégio de ser treinado pelos melhores na minha opinião Zé Luís ( ADF), Paulo Tavares ( FJA e CSKA) . Mais o PAULO TAVARES foi o melhor sem dúvidas.

Na tua carreira de jogador alguma vez passaste por dificuldades? De que tipo e em quais?

Que me recorde não passei por dificuldades.

Sonhas com o regresso a Portugal ou a China seduziu-te de vez?

Estou bem na China e pretendo ficar por la por enquanto.

E a nível de Seleção, nunca foste proposto para seres internacional por Portugal?

Nunca, Vontade que não faltava kkkkkk. Mais não acho correto, Jogadores Portugueses tem que defender seu País, só se fosse um caso muito especial, se não houvesse jogadores ai concordaria, mais não é o caso.

Ou o fato de já teres sido internacional brasileiro te impediu o mesmo?

Não impediria em nada, porque fui internacional Brasileiro Universitário.

Em relação ao que se está a passar no Rio Ave este ano, alguma vez sentiste que a saída de um Treinador fosse mexer com tanta coisa num clube?

Sempre que um treinador tem muito peso na equipa e comissão acontece isso, e no caso do Rio Ave isso ja era esperado, só um sego que não enxergava.

E de momento, o Adriano é o Treinador certo no clube certo?

Não sei se o clube é o certo, mais que ele é um bom treinador é sim.

Amigo Eskerda, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Agradecer ao Jorge Brás e ao Zé Luís pela oportunidade que me deram, e a vocês Desportivo Transmontano pela oportunidade desta entrevista.

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