Entrevista a Rui Almeida, treinador de futsal da ABC Nelas

Esta semana, Fernando Parente esteve à conversa com Rui Almeida, treinador da ABC Nelas, atualmente a disputar a Fase de Promoção e subida à Liga Sportzone .

 

Mister e amigo Rui Almeida, desde que ano estás ligado à modalidade?

Comecei a praticar a modalidade em 2004 e a vertente do treino uns dois ou três anos depois.

Já passaste por alguns clubes, pelas Seleções Distritais da AF Viseu, mas diz-me: o que achas que falta para que os clubes do interior, bem como as equipas de formação das AF´s consigam ser mais competitivos e possam passar a estar nas decisões, quer dos campeonatos onde estão inseridos, quer dos eventos organizados para as seleções distritais?

O problema da interioridade está em, há muito, se achar que Interior é sinal de inferior.

Os sucessivos governos não olharam para esta região como deviam e como ela merece. Para contrariar isso temos, e devemos, que continuar a trabalhar mais e melhor para assim suprir as dificuldades estruturais existentes. No fundo, tem de se parar de ver o Interior como um problema e pensar apenas em arranjar soluções.

Estás ligado a um dos clubes, que em meu ver, é das melhores escolas de formação de Futsal do país, o ABC Nelas? O sucesso alcançado pelo André Coelho, atualmente no SL Benfica, confirmou aquilo que estavas à espera dele, quando saiu para o SC Braga/AAUM?

O André é um atleta que desde tenra idade demonstrou ter muita qualidade, uma grande capacidade de sacrifício e de trabalho. E, para além disso, continuo a acreditar que os bons seres humanos têm uma maior probabilidade de chegar mais longe.

Lanças muitos atletas da formação na equipa sénior do ABC Nelas, da qual também és Treinador. É este o futuro das equipas de futsal do interior?

Este deveria ser o caminho quer no futsal quer nas restantes modalidades, seja no interior ou no litoral. Mas haverá quem tenha opiniões e estratégias diferentes e igualmente válidas.

É fácil gerir um balneário recheado de alguns e excelentes executantes oriundos da Liga Sportzone, todos eles já com nome no futsal nacional, num clube que disputa a 2ª divisão nacional?

É fácil quando, e sobretudo, para além de bons atletas são bons homens. Um grupo destes é sempre mais fácil de gerir. E mais importante do que de onde vêm é saberem que é para lá que querem voltar, e que a cada dia ambicionam ser melhores e mais competitivos.

Associação Académica de Viseu, Viseu 2001 e ABC Nelas, três clubes aos quais “umbilicalmente” estás ligado. O que te apraz dizer de cada um deles?

A Associação Académica de Viseu foi um dos clubes que me ajudou a formar enquanto jogador, treinador e homem. O Viseu 2001 foi o clube que me deu a oportunidade de treinar na segunda divisão nacional e lutar por objetivos ambiciosos. O ABC de Nelas foi o clube que, no momento em que estava triste e desiludido com o futsal, me possibilitou voltar a sentir-me feliz e realizado nesta modalidade. Aproveitar para agradecer ao meu querido amigo Augusto Assunção por me ter “obrigado” a não ficar muito tempo zangado com a modalidade.

Para quem já esteve perto de alcançar (Viseu 2001), sentes que este ano o ABC Nelas desta Fase de Promoção/Campeão, poderá ser a grande surpresa e conseguir a tão desejada subida à Liga Sportzone?

Como esta época vai acabar não sei mas sei que desde o primeiro dia acredito que vamos competir e lutar para chegar à Primeira Divisão.

O ABC Nelas é presente e futuro?

Presente é de certeza. Futuro será enquanto as pessoas acreditarem que sou mais um a contribuir para o sucesso do clube e enquanto me continuar a sentir realizado em Nelas.

Acabaste de te sagrar Campeão Distrital Júnior A, mas como vês a formação no Futsal e a competitividade da Divisão Honra Distrital no distrito de Viseu?

O campeonato é competitivo e recheado de boas equipas, estamos a um bom nível mas com mais e melhor trabalho poderíamos estar ainda melhor.

Como apelidas a experiência de treinares um clube durante “4/5” anos seguidos?

Usaria o adjetivo confiança. Estar e trabalhar tantos anos seguidos no mesmo clube só se pode justificar com confiança e respeito mutuo.

Achas que o teu trabalho tem sido reconhecido?

O reconhecimento está no alcançar dos objetivos propostos pelas direções. Ainda assim, continuo a achar que não existe maior reconhecimento do que sentir que aqueles que realmente nos querem bem têm orgulho no nosso trabalho.

A tua ambição como Treinador, passa por?

Não defraudar todos os que acreditam no meu trabalho. E, claro, chegar à Primeira Divisão.

Como já andas nisto há alguns anitos e já passaste por vários modelos competitivos, diz-me o que achas do modelo atual da 2ª Divisão Nacional?

Como já disse algumas vezes, sou desde a primeira hora contra este modelo competitivo. Primeiro porque grande parte das equipas que sobem do distrital, diretamente para a Segunda Divisão nacional, sentem enormes dificuldades, já que é a uma realidade bem diferente. Depois, é impensável e cruel que em fevereiro os clubes fiquem com metade do trabalho (pontos) conseguido até então. E ainda o facto de que, e são muitos os que concordam com isto mesmo que não o assumam publicamente, com este modelo competitivo fica mais fácil e mais barato um clube manter-se na Liga Sportzone do que subir até lá.

Sentes que tem atletas com potencial para a nossa Seleção, uma vez que alguns deles já fizeram parte de convocatórias e outros são internacionais universitários?

Apesar da qualidade, e reconhecido valor dos meus atletas, não será fácil “substituir” os atuais campeões europeus. Aproveitar a oportunidade para dar os parabéns à Federação, todo o staff, aos jogadores e em especial ao “homem do leme”, o professor Jorge Brás.

Amigo Rui, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

Ficaram três coisas por dizer: primeiro dar um forte abraço ao camarada e amigo Fernando Parente; em segundo deixar um forte abraço para todos aqueles que ao longo dos anos contribuíram para que os objetivos propostos sejam alçados e, por último, votos de continuação de boa época para todos os intervenientes, praticantes e amantes da modalidade.

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