Partiram de uma pequena freguesia de Valpaços (Silva), em busca de uma vida melhor, na Suíça, para o Distrito de Morges na área metropolitana de Lausanne.

Em 2009 os “Silvas” começaram a praticar a modalidade uma vez por semana até que evoluíram e formaram o Futsal Silva Morges, ou seja Silva da Freguesia de onde partiram e Morges da Cidade que os acolheu.

Fernando Parente esteve à conversa com o presidente deste clube multicultural suíço , fundado por portugueses que se iniciou num grupo de amigos e hoje com duas equipas federadas quer chegar ao profissionalismo.

Tiago Borges, um homem ligado à modalidade do futsal desde 2009. Foi difícil o “parto” da criação de um clube de Futsal na Suíça?

Sim, foi um pouco. Num país onde o futsal ainda não tem a dimensão e visibilidade que em outros países, como Portugal por exemplo, encontrar patrocínios, pavilhões para treinar, foi um pouco difícil.

O clube “Futsal Silva Morges” é a maneira de vocês dedicarem algo à vossa terra (Silva, Valpaços)?

Sim, tem tudo a ver. Quando começamos em 2009, foi um grupo de amigos que eram todos originários da Silva, e foi uma maneira que encontramos de nos vermos uma vez por semana e termos um convívio no final do treino.

Para que as pessoas fiquem a conhecer melhor, fale-nos um pouco da terra transmontana, de nome Silva?

Típica aldeia transmontana que pela falta de trabalho e de oportunidades os jovens foram obrigados a ir para grandes cidades ou para o estrangeiro para ter um melhor nível de vida, que pertence à freguesia de Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, com 120 habitantes e mais ou menos 200 pessoas emigrantes.

A formação da equipa inicialmente era com que objetivo?

No início foi pelo convívio, para não perdermos o contacto entre nós e também pelo prazer do futsal.

Começaram com um treino por semana em 2009 para matar saudades da terra, dois treinos no ano seguintes para as “petiscadas” pós treinos e torneios e, no terceiro ano, após alguns torneios ganhos, decidiram avançar para entrar numa liga oficial. Era já o bichinho da modalidade a falar mais alto?

Sim, era. Todos os desportistas gostam de competição e de desafios. Foi isso que nos motivou a inscrever-nos numa liga oficial e também para melhorarmos.

 Um clube oficial foi formado, com a junção dos nomes de duas terras, Silva de Trás-os-Montes e Morges, terra adotada por muitos emigrantes aí na Suíça. Como é que os habitantes de Morges vêem e sentem a equipa?

No início foi um pouco difícil porque Silva também é um nome de família, e as pessoas pensavam que era uma pessoa que tinha dado o seu nome ao clube. Demorou um pouco para as pessoas conhecerem a origem do nome e do clube.

 Neste momento a equipa é constituída pelos mesmos jogadores da terra, ou os índices que a própria competição exige, tornou a equipa em moldes diferentes dos iniciais?

A equipa foi evoluindo e nós sempre estivemos abertos a todos. Neste momento temos 7 nacionalidades nas duas equipas, mas 90% dos jogadores continuam todos ligados ao clube mas com outras funções, logística, treinador dos guarda-redes, administração, etc.

 O projeto da equipa passa por?

O projeto passa por sermos uma equipa de referência na Suíça e na modalidade. Com a criação de uma escolinha de formação para os mais novos, porque o futuro do futsal começa pela formação.

Sinto que a própria evolução e interesse na modalidade na Suíça teve um pouco de repercussão pelo fato do Artur Camarão, uma das maiores referências do futsal em Portugal ter ido representar o Bulle Futsal, outra equipa aí da Suíça. Está de acordo comigo?

Sim, efetivamente a chegada do Artur Camarão veio trazer muito ao futsal na Suíça e muitas mudanças a nível técnico e tático. O futsal na Suíça evoluiu muito nestes últimos 3 anos. Há cada vez mais praticantes desta modalidade, e muitas equipas novas que foram criadas.

Nos três projetos que a equipa tem, qual é o objetivo a curto, médio e longo prazo?

A curto prazo passa por ter uma equipa na primeira divisão e a segunda equipa na segunda divisão.

A médio prazo que passa por sermos campeões de futsal suíço.

E a longo prazo, passa por fazer de Morges a capital do futsal na Suíça.

 Sei que o clube tem duas equipas, uma a participar na Liga A e a outra na B. A equipa secundária serve para trabalhar a formação, de modo que alguns jogadores depois possam dar o salto para a Liga A?

Sim, na primeira equipa temos jogadores já com bastante experiência de futsal. Na segunda são essencialmente jogadores de futebol 11 que querem experimentar ou têm pouca formação e dar os primeiros passos no futsal, mas são essencialmente jogadores com uma média de idade de 19 anos e claro o objetivo é chegar à primeira equipa.

 Ou a equipa que joga na Liga B também tem objetivos para atingir?

Sim, também temos objetivos para a segunda equipa que é chegar a liga A (segunda divisão).

Os regulamentos da modalidade preveem que duas equipas do mesmo clube possam jogar na mesma liga?

Não é possível, só uma equipa pode jogar em cada divisão.

 E na principal, na 1ª Divisão Suíça, também é permitido?

Não.

Há um provérbio português onde é referido que: “o sonho comanda a vida”. Qual é o seu sonho para o clube Presidente?

O meu sonho é que os nossos projetos a curto, médio e longo prazo se realizem, e claro, termos uma equipa profissional.

Existe a vontade de fazer da cidade Morges a capital do futsal na Suíça. E Silva, em Trás-os-Montes, poderá um dia vir a existir uma equipa a participar no distrital de Vila Real?

Penso que será difícil isso vir a acontecer porque para isso seriam precisos jovens residentes na aldeia da Silva, e a tendência nestes últimos anos tem sido o contrário, a diminuição de jovens na aldeia.

Falando agora de jogadores. Grande parte dos jogadores nos campeonatos/ligas são amadores ou também já existem equipas profissionais?

Ainda não existem equipas profissionais em nenhuma das ligas suíças.

Sabemos que para além do Artur Camarão, também joga aí no campeonato suíço um jogador de Carrazedo de Montenegro, o Ruisinho? Ele insere-se na política de contratações para o futsal na Suíça possa evoluir?

Sim, este ano decidimos trazer dois jovens que são também grandes amigos de Carrazedo de Montenegro, o Ruisinho e o André Peles, que pelas suas capacidades e qualidades vieram aumentar ainda mais o nível da equipa. E depois temos jogadores como o Artur Camarão que acredita no nosso trabalho e que decidiu abraçar esse projeto, como outros jogadores que vieram de outras equipas. Ainda vão chegar mais dois jogadores brevemente, com quem fomos criando laços de amizade e decidiram juntar se a nós.

O Tiago Borges deixou algo por dizer que não tenha sido referido nas questões anteriores?

Sim, gostaria de deixar o meu agradecimento a todos os membros da direção, sócios, jogadores e voluntários, porque sem eles este projeto não podia avançar. E claro, a si mesmo, pelo interesse que demostra pelo nosso clube e pela modalidade em si.

 

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