Eduardo Veiga: “Tenho o sonho de jogar com a camisola do meu país”

Eduardo Filipe Sousa Veiga, guarda-redes de futsal, é transmontano, nascido em Mirandela há 21 anos. Joga atualmente pelo Magna Gurpea, uma das melhores equipas do campeonato espanhol. Eduardo é, a par de Ricardinho, a representação portuguesa no melhor campeonato do mundo de futsal.

 

Como começou esta aventura por Espanha, uma vez que és um orgulhoso transmontano de Mirandela e bastante novo?

Sim, muito orgulhoso de ser transmontano. Por motivos familiares com 9 anos de idade vim morar para Espanha mais concretamente para Eibar, uma pequena cidade de apenas 25.000 habitantes no País Basco. Mas sempre que posso vou a Portugal, no Natal, Páscoa, férias e por vezes feriados, a minha ligação a Mirandela é muito forte.

 

Como e onde iniciaste o teu percurso desportivo?

Comecei a jogar com 10 anos no Eibar já como guarda-redes, joguei lá dos 10 aos 16 anos futebol de 11. O futsal só chegou depois.

 

Como surgiu o futsal, e o porquê da mudança?

Comecei a jogar futsal por causa de um amigo, foi ele que me incentivou e insistiu para mudar de futebol para futsal, não tinha conhecimento que existia equipa de futsal em Eibar, pois pessoalmente até prefiro o futsal, muito devido ao meu pai que jogou futsal em Portugal. Depois disso comecei a ir aos treinos com ele e foi assim que dei os primeiros passos no futsal, o CD Debabarrena na altura jogava na 2ºDivisao B Espanhola.

 

Como foi essa rápida chegada á primeira divisão e logo pela mão do Magna?

Depois do CD Debabarrena tive a oportunidade de representar o Zierbena FS da mesma divisão, que tinha um projeto que me incentivou, nesta equipa logo no primeiro ano tive o privilegio de ser campeão e subir à 2º Divisão. Posteriormente recebi algumas propostas de clubes da 1º e 2º Divisão, mas recusei porque queria dar continuidade aos estudos, fiz mais uma época no Zierbena FS até que recebi o convite para poder representar uma das melhores equipas espanholas, o Osasuna Magna e ser treinado por um dos melhores treinadores Espanhóis da atualidade o Sr. Imanol Arregui.

Estando tu no melhor campeonato do Mundo da modalidade, que diferenças notas em relação ao campeonato Português e que medidas podiam ser tomadas no sentido de aproximar a nossa realidade ao campeonato Espanhol?

Como todos sabemos o campeonato Espanhol está acima de qualquer campeonato, o profissionalismo das equipas encontra-se a um nível muito elevado. Para um clube e jogador é completamente diferente entrar num pavilhão em que estejam 3000/4000 pessoas do que entrar noutro que estejam 300/400 (tirando os jogos do Sporting CP e do SL Benfica), mas também o nível de salários tal como os patrocinadores, em Portugal o futsal está a crescer cada vez mais, isso é bom não só para as equipas como também para os jogadores.

 

Como foi ver Portugal campeão da Europa? Onde e com quem viste o jogo? Brincaste com os teus colegas de equipa?

Foi um momento de imensa alegria, não só para mim, mas também para todos os Portugueses, nesse momento até estava sozinho em casa, mas gritei tanto que até acho que os vizinhos disseram mal de mim (risos).

Logo a seguir ao acabar o jogo mandei uma foto minha para o grupo que temos no Whatsapp, mas nenhum deles respondeu (risos). Também não brinquei muito porque o meu colega de Equipa Rafa Usin jogou contra Portugal e acredito que perder uma final deste nível deve ser um momento muito doloroso, mas depois tive a oportunidade de falar com ele e até confessou que foi merecido.

 

Fizeste a tua estreia pela equipa principal há pouco tempo, queres falar como surgiu a oportunidade e qual foi a sensação?

O meu companheiro Asier lesionou-se e tive a sorte de me estrear logo num dérbi na melhor liga do mundo, ganhamos 7-1, não podia pedir melhor estreia, estava ansioso da oportunidade de poder mostrar o meu nível, ainda só tinha jogado para a Taça del Rey. Treinei muito para estar preparado para quando a oportunidade chegasse. Foi uma sensação excecional, um grande momento da minha vida desportiva que jamais esquecerei.

 

Há quem defenda que a escola Espanhola de guarda-redes é a melhor, partilha dessa opinião? Se sim, que diferenças encontras que fazem dele o melhor?

Eu não diria que é melhor, eu acho que é diferente, nós os Portugueses tivemos a sorte de ter um guarda-redes como o João Benedito, aqui na Espanha o ídolo é o Luís Amado com diferentes qualidades do que o João Benedito. E por isso que eu acho que as escolas espanholas e a portuguesa são diferentes, pois procuram guarda-redes à imagem dos seus ídolos.

As escolas Espanholas e Portuguesas são das melhores do mundo na minha opinião.

 

Quais são as tuas referências na posição?

Sempre admirei muito o João Benedito foi uma das minhas primeiras grandes referências. Atualmente as minhas maiores referências são o Paco Sedano (FC Barcelona) e Fabio Alvira (EL Pozo), assim como o meu colega de equipa e amigo Asier pelo qual tenho muita admiração.

 

Quem é para ti o melhor guarda-redes Português e o melhor a nível mundial da atualidade?

Os três guarda-redes da seleção nacional estão a um nível muito bom, mas ainda assim acho que o André Sousa pela sua experiência, agilidade e a qualidade de jogo de pés, merece ser destacado também pelo grande europeu que fez. A nível mundial a luta está entre o Paco Sedano do Barcelona e o Leo Higuita do Kairat, ambos estão a um nível muito forte.

 

Quais são as tuas perspetivas para o playoffs do apuramento de campeão e da Taça de Espanha?

É sempre difícil competir contra as grandes equipas do campeonato Espanhol, mas nós demonstramos que podemos ganhar a qualquer uma e acredito que nenhuma equipa goste de jogar contra nós. Na Taça de Espanha vamos enfrentar o Inter Movistar é um jogo que temos muita vontade e estamos preparados para isso, somos realistas e sabemos que temos que fazer um jogo perfeito para conseguir ganhar a uma equipa com muita qualidade e campeã europeia e sem esquecer o melhor do mundo o Ricardinho. Nos Playoffs o objetivo é chegar ás meias finais.

 

Pensas jogar em Portugal a curto, médio ou longo prazo?

É um sonho que tenho por concretizar, quando estiverem reunidas as condições. Penso que todo o jogador Português gosta de jogar em Portugal, mas também tenho o sonho de poder jogar com a camisola do meu país, quero jogar de quinas ao peito.

 

Que mensagem gostarias de deixar aos nossos leitores em geral, e aos praticantes de futsal em particular?

Que nunca desistam dos seus sonhos e que não parem de lutar por eles porque e com trabalho, muita dedicação e humildade que se conseguem.

 

Entrevista elaborada por Octávio Fontes.