Edgar Florindo tinha uma missão difícil na ronda de Aragão. Competir num circuito totalmente desconhecido para o piloto, mas trabalhar para tentar chegar o mais longe possível no Motorland. Tal, não foi possível por diversos azares, que marcaram decididamente o fim-de-semana do vilarealense.

Com apenas um treino livre para se ambientar ao traçado aragonês, Edgar Florindo partiu para a pista e sentiu que a direção do Cupra TCR não estava nas melhores condições. Ainda tentou prosseguir no necessário treino, mas teve que parar nas boxes da equipa, onde foi identificado o problema, um apoio de direção teria cedido, perdendo o tempo que restava da sessão tanto para aprender o traçado como para desenvolver um bom set up para o carro.

Com o problema resolvido por parte da sua equipa, Edgar Florindo entrou na sessão de qualificação de Sábado na tentativa de marcar tempos rápidos, prosseguindo com a aprendizagem sobre a pista, que ainda era longe da ideal.
Novo azar bateu à porta. Um furo no segundo período da sessão obrigou-o a parar e não continuar em pista, mesmo tendo notado que o seu ritmo podia chegar aos dos pilotos adversários mais rápidos com mais algumas voltas.

“Praticamente não tive tempo de adaptação ao traçado no único treino livre que dispúnhamos, pois tive este problema ainda só estava feito 1/3 do treino. Outra situação negativa foi a organização decidir retirar um treino livre o que afetou todos os pilotos, mas a mim principalmente, pois nunca tinha andado neste circuito e precisava de voltas para ir para a qualificação em pé de igualdade em termos de conhecimento de pista. A qualificação surgiu como sendo os verdadeiros treinos livres, mas ao mesmo tempo tinha que fazer a melhor volta possível. Tinha ritmo para, em poucas voltas, chegar perto dos mais rápidos e foi o que aconteceu. Dado o desconhecimento da pista e as voltas que tinha a menos em relação aos adversários, poderei considerar que foi uma boa qualificação, mesmo com o furo no pneu frontal esquerdo na parte final, penso que fiz uma boa qualificação e principalmente sabia que em corrida podia obter um resultado positivo.”

Nos instantes iniciais da primeira corrida de 55 minutos + 1 volta, uma pedra seria projetada por outro carro em direção ao Cupra nº13 de Edgar Florindo, partindo o vidro da sua porta esquerda e no meio dessa confusão, na travagem para a curva 1, um pequeno toque num protótipo que seguia à sua frente, e que travava cedo de mais para a curva, acabaria por partir o radiador do carro. Para esse problema não originar um sobreaquecimento do motor, o piloto foi obrigado a parar de imediato respeitando o alerta do carro.

A equipa fez testes no motor do Cupra e tudo indicava que estava apto a fazer a segunda corrida no dia seguinte. Edgar Florindo regressou à grelha de partida para a corrida 2 de Domingo, mas o motor sobreaqueceu ainda na volta de alinhamento e impossibilitou-o de iniciar a prova, dando por terminado um fim-de-semana frustrante.

“Quem compete no desporto motorizado sabe que são azares que podem sempre acontecer. Este fim-de-semana foi talvez o pior que tive desde que estou nos TCR, realmente farto em azares, mas nada de desanimar. Tenho de dar uma palavra de incentivo à Veloso Motorsport, pois resolveu os problemas todos que fomos tendo. Tenho pena que estes carros sejam tão sensíveis a estes pequenos toques frontais e que os alarmes sejam acionados tão tardiamente, praticamente quando o motor já está com algum problema no seu interior, não dando informação aos pilotos de quando o nível de água começa a baixar. Julgo que é uma boa sugestão de melhoria, colocarem um sensor de nível no reservatório da água destes carros. A Veloso Motorsport fez todos os testes possíveis no local, desde teste de compressão, funcionamento de circulação da água e arrefecimentos, etc e tudo indicava que poderia alinhar sem problemas na corrida 2. No entanto, quando fui à pista e testei o carro em carga, começou a aquecer. Saio triste, mas convicto que sem estes problemas poderia ter mostrado bastante mais. Este fim-de-semana tive azar, mas estou pronto e motivado para abraçar a próxima corrida.”

Edgar Florindo prosseguirá a sua carreira de piloto nos TCR com a dose certa de ambição e sempre com vontade de trabalhar.

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