Carlos Guerra é o treinador do momento. O técnico, que orienta o clube-satélite do Chaves, lidera atualmente a Divisão de Honra da Associação de Futebol de Vila Real (AFVR), a três pontos do adversário direto, o SC Vila Real, com o qual vai disputar um importante derby no próximo domingo.

Com três títulos distritais, por três clubes (Vilar de Perdizes, Valpaços e Pedras Salgadas), o treinador conta ainda com duas Taças AFVR, uma Supertaça, várias subidas e manutenções em campeonatos nacionais seniores, e uma subida para a primeira divisão de juniores, pelo Chaves.

O Chaves é primeiro classificado da Divisão de Honra. No ano de estreia, o único objetivo do clube é subir de divisão?
Carlos Guerra: Este é o nosso primeiro ano e é verdade que queremos subir. Mas os objetivos do clube passam principalmente por potencializar os seus atletas e acompanhar o seu crescimento, para eventualmente chegarem à equipa principal do Chaves. Claro que para isso temos que estar em campeonatos mais competitivos e o nosso objetivo passa por disputar o Campeonato de Portugal. As coisas estão a correr bem, para já. Estamos em primeiros, a três pontos do Vila Real, mas muito próximos também do Régua. O campeonato ainda promete muita luta. Há muitos jogos decisivos por disputar. Mas estamos bem encaminhados.
Somos atualmente a equipa com mais golos marcados em todos os campeonatos ao nível sénior. Mas o nosso objetivo não é esse. É subirmos e sermos campeões, mas são situações que nos deixam claramente muito orgulhosos. Tivemos jogos muito bons, o que nos dá confiança para o campeonato que nos falta.

Jogar com as cores do Chaves é importante, principalmente para mobilizar os adeptos.
Carlos Guerra: Estamos a fazer um bom trabalho e isso ajuda. Este é um grande clube que dá grandes condições a todos os profissionais. Somos uma equipa do interior e estas equipas não são muito faladas, mas este clube e esta zona do país tem um grande orgulho de ter uma representação na primeira divisão. Temos um grande bairrismo. Conseguimos levar muita gente ao futebol, tendo em conta a população que temos, que é muito inferior comparando com concelhos do interior.

Tirando as equipas que lutam pela subida, de resto pode dizer-se que é quase um passeio?
Carlos Guerra: Penso que quem perder pontos com as equipas que não lutam pela subida (veja-se o exemplo do SC Vila Real que empatou em Vila Pouca) sujeita-se a ficar arredado da luta pelo título. Nesta altura, com três pontos de distância, nós dependemos apenas de nós, mas o Vila Real também depende dele próprio. A diferença é que um empate serve-nos no Monte da Forca. Dia 25 joga-se o derby que pode decidir o campeonato. Há anos que não se joga um derby entre estes dois emblemas.

Como é composto o plantel da equipa sénior?
Carlos Guerra: A equipa satélite também tem o objetivo de dar continuidade à formação. Estive dois anos com os juniores, num ano subimos para a primeira divisão e no seguinte conseguimos a manutenção. Este ano, com a equipa satélite, é a continuação desse trabalho. Tenho comigo 12 atletas que eram dos juniores e mais dois que estavam emprestados ao Pedras e ao Montalegre. O nosso trabalho é filtrar jogadores que achamos ter potencial para ter futuro aqui.
Fomos buscar o Gustavo e o Nuno, porque com tanta juventude era importante ter jogadores experientes, que conhecem a mística deste clube, que já passaram pela equipa sénior e sabem o que é jogar à Chaves. Achamos bem colocar essa experiencia ao pé da juventude, que iria ajudar no seu crescimento. Alem disso têm valor e podem acrescentar talento à equipa.

O Carlos Guerra tem pergaminhos nesta divisão. Orgulha-se do trabalho que realizou?
Carlos Guerra: Quando estive no Pedras Salgadas, antes de ir treinar os juniores do Chaves, estava indiretamente ligado ao Desportivo. Nessa época (2013/2014), depois de extinta a 3ª divisão, foi o campeonato nacional mais competitivo que vi. Nesse ano fomos a única equipa que subiu do distrital e QUE se manteve. Fomos ao play-off com o Barreirense e conseguimos a manutenção. Foi um grande feito. Claro que tive outros feitos ou outros títulos, principalmente a nível distrital, que me deixam orgulhoso, mas eu trabalho a pensar do futuro.

Em relação à Taça AFVR, concorda com o facto de não poderem competir?
Carlos Guerra: Eu não concordo com o facto de estarmos fora da Taça AFVR. Se fosse a Taça de Portugal, ainda teria alguma lógica. A Taça da AFVR não tem nada a ver com a equipa A. Podíamos perfeitamente ser campeões da Taça AFVR, isso implicaria que não poderíamos entrar na Taça de Portugal, no ano seguinte, o que seria normal.
Já houve situações em que a equipa que subiu também ganhou a Taça, e o segundo classificado ou a equipa que foi à final acabou por disputar a Taça de Portugal no ano seguinte. Na minha opinião, foi cometido um erro. Mas a decisão está tomada.

Não disputar a Taça é, para si, uma vantagem ou uma desvantagem?
Carlos Guerra: Para mim é uma desvantagem porque a pior coisa que pode acontecer nas equipas que estão a competir é parar. A partir do momento que estamos fora da Taça AFVR não podemos jogar ou não temos com quem treinar nesse fim de semana. Ao não ter competitividade, perde-se intensidade e andamento. Se essa Taça fosse disputada a meio da semana, poderia ser vantajoso para nós, mas como é ao fim de semana e o campeonato para, não vejo vantagens em ficar de fora.

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