Bruno Rocha: “Aqui toda a gente puxa para o mesmo lado”

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“Um grupo fantástico e trabalhador, onde se vive um ambiente familiar, uma amizade imensa, com todos a “puxar” para o mesmo lado.”

O Sport Genève e Benfica, carimbou nesta temporada a subida à 3ª Divisão do Campeonato Suíço. O Desportivo Transmontano e Noticias de Vila Real estiveram  à conversa com o treinador Bruno Rocha, e ficaram a conhecer mais sobre a equipa “Lusa” formada unicamente por jogadores de nacionalidade portuguesa, e com uma média de idade de 23 anos. Natural da Campeã (Vila Real), o técnico de 33 anos, conseguiu um feito histórico para a comunidade portuguesa naquele país.

Bruno como surgiu a oportunidade de treinares o Sport Genève e Benfica?

Fui convidado inicialmente para trabalhar na formação. Contudo, na temporada 2012/2013, e depois de uma época complicada, que culminou mesmo com a descida de divisão e a saída de vários  jogadores, a direção pensou em mim. Endereçou-me o convite para  assumir o comando técnico da equipa principal, ao qual aceitei de corpo e alma. Foi um trabalho duro, pois tivemos que recomeçar tudo, mas foi também com imenso prazer  poder fazer parte desse projeto.

Para quem não conhece o Sport Genève e Benfica, como surgiu a ideia de criar uma equipa de Futebol na Suíça?

O Sport Genéve e Benfica surgiu há 22 anos. A ideia de conceção da equipa, è a mesma de praticamente todas as instituições no estrangeiro, ou seja, poder unir a comunidade portuguesa, que neste caso em Genève é muito numerosa.

O plantel é composto por jogadores profissionais ou apenas amadores?

Toda a estrutura do clube, jogadores e treinadores são apenas amadores.

Quais as condições de treino?

São as condições suficientes para um clube amador. Realizamos os nossos treinos, juntamente com mais equipas num Centro Desportivo composto por quatro campos relvados e dois sintéticos.

Semanalmente até porque e como atrás referi, todos os jogadores são amadores, realizamos dois treinos no campo sintético.

A subida à III Divisão, foi um feito histórico para a equipa. Quais os fatores que contribuíram para este sucesso?

A subida deve-se a um trabalho que vem sendo feito há quatro anos. Decidimos apostar mais na denominada “Prata da casa”, e contratar apenas jogadores necessários para colmatar um ou outro setor, tendo em conta não só o lado futebolístico, mas também o lado humano do próprio atleta.

Os grandes responsáveis por esta subida são sem dúvida os jogadores. Um grupo fantástico e trabalhador, onde se vive um ambiente familiar, uma amizade imensa, com todos a “puxar”para o mesmo lado.

Na próxima época vais novamente comandar o Sport Genève e Benfica?

Sim claro, nem fazia sentido abandonar agora este grupo de trabalho e este projecto, onde apenas ultrapassamos mais uma etapa. Sinto-me muito bem neste clube onde sou acarinhado e respeitado.

A equipa exclusivamente de Portugueses é para manter na próxima temporada?

Em princípio sim. Embora claro, se houver uma oportunidade de contratar um jogador que não seja português, mas que possua as características que pretendemos, não vamos dizer não.

O apoio da comunidade portuguesa tem sido importante?

Sim, o apoio é sempre importante, embora em Genève existam mais associações portuguesas. No entanto, e devido à boa campanha realizada, temos trazido muita gente aos nossos jogos, a todos eles que nos acompanharam ao longo deste percurso, o nosso muito obrigado.

A curto prazo pensas treinar um clube com outras dimensões?

O futuro só a Deus pertence, quero fazer um passo de cada vez, mas não escondo que sim, gostaria imenso de trabalhar em clubes com outras dimensões.

Já estás à frente desta equipa à 4 anos, quais os  momentos que mais te marcaram?

Todos os anos existem momentos marcantes, mas existem dois em particular, que me ficaram na memória. O primeiro momento é negativo, isto porque, no 2º ano que estava à frente da equipa, fomos excluídos da subida de divisão, depois de nos terem sido retirados 3 pontos na secretaria. Foi frustrante, depois de uma grande época.

Pela positiva, sem dúvida esta época que culminou com a subida de divisão, depois de uma segunda volta fantástica, com 12 vitórias e apenas 1 empate. Foi uma época onde a mim me custou o cabelo (risos), mas valeu a pena por tudo que este grupo trabalhou ao longo da mesma.

E o regresso a Portugal, para quando?

Sem dúvida que adoraria um dia regressar, e se possível através deste mundo do futebol, seria de facto maravilhoso, mas actualmente não penso nisso. Estou bem por cá, tenho grandes amizades, um trabalho e continuo ligado ao mundo que sempre conheci, o futebol. Mas ninguém sabe o dia de amanhã…

Queres aproveitar para deixar alguma mensagem?

Primeiro agradecer a ti,  ao Desportivo Transmontano e Noticias de Vila Real por esta oportunidade, e de não se esquecerem das pessoas que estão fora do País, o meu muito obrigado.

Agradecer ao meu presidente José Neves e ao director e amigo Frederico Ribeiro por me terem dado a oportunidade de poder treinar neste grande clube, assim como a todos que se preocuparam e nos apoiaram ao longo da época.

A todos meus amigos em Portugal e de Genève pelas mensagens de apoio, à minha equipa técnica (André Lopes e Bruno Andrade), pelo grande trabalho e por me aturarem…

Agradecer também aqueles que foram os grandes responsáveis por esta época fantástica, sem dúvida aos meus jogadores/grupo de trabalho. Continuem como são, pois vocês são únicos.

Mais uma vez obrigado Luís Roçadas por esta oportunidade, continua juntamente com a tua equipa a realizar esse trabalho fantástico que tens feito em prol da informação desportiva da nossa região.

Um abraço a todos os meus amigos de Vila Real e forca Sport Genéve e Benfica.

Entrevista conduzida por Luís Roçadas

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