Académico Alves Roçadas contra a utilização das novas bolas da AFVR

A formação do Académico de Alves Roçadas esteve, no decorrer da passada semana, suspensa das provas oficiais da Associação de Futebol de Vila Real (AFVR). Tudo porque o clube se recusou a utilizar a bola oficial de futsal que a AFVR escolheu para a presente época desportiva. Os motivos que o Académico Alves Roçadas alega para a não utilização da bola prendem-se essencialmente pelos seguintes aspectos: “a bola é leve, salta demasiado, quando é passada não tem deslocamento nem trajetória, e não permite um jogo tão fluido”.

Após estes factos evidenciados, o emblema vila-realense recusou jogar as suas partidas com a bola oficial da AFVR, optando por jogar com a bola oficial da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que tem características distintas. Perante este facto, a direção da AFVR multou o clube com duas coimas de 100 euros.

Posteriormente a ter sido notificado pela AFVR, o Académico de Alves Roçadas dispunha de 20 dias para liquidar as suas multas. Contudo, não o fez. O clube foi depois informado que as respectivas multas seriam agravadas em 50% (como está mencionado no artigo 21º do Regulamento Disciplinar) e concedido um prazo, que findou a 30 de novembro, para a situação ser regularizada, sob a pena de o clube ficar automaticamente impedido de participar em qualquer prova oficial. Após os avisos da AFVR, o Académico Alves Roçadas não regularizou a situação, ficando temporariamente impedido de participar em qualquer competição oficial.

No entanto, o emblema vila-realense, depois de ter acedido ao comunicado oficial da AFVR, que decretava temporariamente a sua suspensão, no passado dia 3 de dezembro, decidiu pagar as multas, sendo desde logo levantada a penalização.

Renato Costa

“Bola não beneficia a qualidade dos jogos”

Em declarações ao Desportivo Transmontano, o Coordenador Técnico do Académico Alves Roçadas, Renato Costa, refere que não tem qualquer lógica a AFVR obrigar os clubes a competirem com uma bola de futsal que em nada beneficia a qualidade de jogo das equipas. “O que não tem lógica nenhuma é estarem a obrigar todas as equipas de Futsal deste distrito a usarem uma bola que efectivamente não beneficia a qualidade do jogo, pois, analisando com mais cuidado, apenas se trata do seu principal elemento. A bola é muito leve, salta demasiado, quando passada não tem deslocamento nem trajectória uniformes. Os árbitros até tentam compensar, obrigando a jogar com a bola na pressão máxima, tornando-a muito dura, enfim, poderíamos continuar a salientar aspectos que dificultam os atletas em exercer as suas funções em campo, mas nem vale a pena insistir. Estas dificuldades são motivos mais do que suficientes para que o órgão que tutela o futsal distrital perceba que esta escolha e que este caminho foi um erro, uma má decisão”, mencionou o dirigente desportivo.

Renato Costa acentua ainda mais sua crítica à AFVR dizendo que mais clubes se tem queixado da bola e que também já expressaram o seu descontentamento. “Ainda não conseguimos encontrar um agente desportivo de Futsal do distrito que apoie a bola imposta como oficial, todos falam mal da bola, dizendo inclusive que já o transmitiram a quem de direito, mas mesmo assim, nada tem sido feito, mais, existe por parte da direção da AFVR uma posição ostensiva e irredutível acerca deste tema e desta questão”, atirou o Coordenador Técnico do Académico Alves Roçadas.

 

“Comportamento da AFVR é intolerável”

Relativamente às multas a que o clube foi alvo, Renato Costa mostrou-se incrédulo com o facto de a AFVR não ter a sensibilidade de ver as dificuldades que hoje em dia os clubes atravessam. “Um clube de Futsal como o nosso, com poucos apoios, mas com mais atletas a participar nesta modalidade e que mais dinheiro gasta nesta associação, melhor, é o maior clube de Futsal de sempre da história da AFVR, como é possível que um clube destes, que tem dificuldades sérias em pagar as inscrições dos seus atletas, arbitragens, seguros, pavilhões, transportes, como nos podem exigir para abdicar do nosso escasso dinheiro para pagar uma despesa sem sentido nenhum, ainda mais nos dias que correm, de crise, em que muita pouca gente tem condições de dar apoios financeiros aos clubes. Como é que ficamos perante uma situação destas? Incrédulos e parvos! Neste sentido, assumimos desde a última Assembleia Geral da AFVR que éramos absolutamente contra esta medida (bola oficial da AFVR) e que não iríamos comprar nenhuma bola. Fomos multados na primeira jornada do campeonato de Juniores e de Juvenis, nos dois jogos em casa que fizemos, por usar a bola oficial da FPF e não a oficial da AFVR, 100 euros por jogo… Depois de várias exposições à FPF, e também à AFVR, o nosso Presidente foi chamado para uma reunião – nunca me chamaram a mim -, ofereceram-lhe duas bolas de formação e uma bola para as seniores, disseram ainda que há uma segunda bola para ser oferecida para as seniores pela vitória na Supertaça feminina, mas naquele momento não a tinham. Tudo isto para que a situação ficasse resolvida e o Académico de Alves Roçadas nunca mais se apresentasse em falta para com a obrigação de ter a bola oficial nos seus jogos em casa. Por obrigação do nosso Presidente foi o que fizemos até hoje, usamos sempre a dita bola nos nossos jogos em casa. Qual o nosso espanto quando sai o agravamento da multa e ainda o impedimento de as nossas equipas em participar nas provas distritais. Inqualificável”, destacou Renato Costa.

 

Mãe de atleta pagou as multas do Académico Alves Roçadas

Por fim, Renato Costa explicou como as multas foram pagas e de que forma a suspensão de impedimento foi levantada. “Felizmente, tive no dia 3 dezembro conhecimento que a mãe de uma atleta nossa se dirigiu à AFVR de manhã e que pagou as multas, foi um ato de coragem de uma mãe que sabe perfeitamente o que se passa e da injustiça que está a ser feita ao clube, mas, mais do que isso, é o mal que fazem a estas crianças e jovens, que não merecem o desprezo de que são alvo por parte da AFVR, pois quem as obriga a jogar com uma bola destas é porque as despreza e não tem o mínimo interesse na sua formação e no desenvolvimento da modalidade. O que seria se a multa não fosse paga e os atletas deixassem de competir? Será que a Associação iria continuar a utilizar os nossos seis atletas na selecção de Futsal sub-17 no próximo torneio de dezembro? Seriam de que clube? Qual será a bola que vai ser utilizada neste Torneio Inter-Associações? Os clubes de futsal e os seus treinadores têm de ser mais unidos para poderem defender os seus direitos de uma forma mais convicta, devendo estar forçosamente mais disponíveis para debater os seus problemas juntos, reunindo-se ao longo do ano para promover o desenvolvimento da modalidade”, rematou o Coordenado Técnico do Académico Alves Roçadas.

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